segunda-feira, 22 de agosto de 2011

JARDIM

 Jardim
"Pedro e Inês - a história secreta nunca antes contada"

Ficha artística:
Autor e encenador: Alexej Schipenko | Tradução: António Pescada | Elenco: André Laires, Carlos Feio, Frederico Bustorff Madeira, Jaime Monsanto, Rogério Boane, Rui Madeira, Solange Sá, Thamara Thais e João Chelo | Cenografia e figurinos: Samuel Hof | Criação vídeo: Frederico Bustorff Madeira | Criação sonora: Luís Lopes | Desenho de Luz: Fred Rompante | Grafismo: Carlos Sampaio | Fotografia: Paulo Nogueira


Esta é uma história muito conhecida em Portugal e, no nosso espectáculo, é contada de uma maneira diferente - talvez como diário de Inês de Castro.
Neste diário ela descreve o seu primeiro encontro, o amor, a vida com Pedro, e o seu assassinato. Contudo, o seu diário continua para lá da sua morte. Até à exumação do seu corpo e coroação como rainha de Portugal, Inês relata o que acontece com aqueles que permanecem vivos.
O objectivo de “Jardim” é criar a imortalidade do amor, sendo também importante para o espectáculo a arquitectura do Theatro Circo porque levará o corpo físico do espectador do fundo do inferno até à última nuvem do paraíso, num processo em tempo real.
O meu trabalho de alguns anos com a Companhia de Teatro de Braga dá-me a possibilidade de fazer este espectáculo único, para glória e espírito da cultura portuguesa, com um agradecimento especial a Rui Madeira.

     Alexej Schipenko

Mais fotografias e informação no site:

quinta-feira, 7 de abril de 2011

"Transit"

Transit

Dois homens que se encontram. Dois mundos que se cruzam. Como num filme. Sem psicologismos. Sem teatro. A reinvenção da sobrevivência através da Palavra. Cada um encontra no Outro a razão da sua permanência ali/aqui. Duas vidas jogam-se no silêncio da espera. Nunca se perceberá quem é caçador e quem é caçado. Neste jogo é vital não perder o argumento. A Palavra mata!
Um exercício sobre o não teatro, levando os actores à procura de um tom em que cada frase dita, resulta apenas do prazer de não se deixar matar. A capacidade de especular sobre cada momento na busca da energia para aguentar o combate no momento seguinte, é o que mantém a Vida. Tudo pode ser verdade e mentira. Tudo hoje é verosímil, tudo é espectacular. Já não nos aguentamos sem máscara…
Jet Lag e Check In são, afinal, dois actores numa luta pela sobrevivência.
Regina Guimarães e Saguenail criaram uma obra teatral densa, “escondida”, estilo “quebra-cabeças” que obriga a um profundo e aturado trabalho de experimentação dramatúrgica com os actores. Sim, se é verdade que todos os espectáculos precisam de dramaturgia, este texto exige-a! Impõem-na como um exercício lúdico. É, neste caso, mais um jogo de vida, mais um duelo entre os dramaturgos, dum lado e encenador e actores, do outro.
Partimos para a encenação experimentando o texto no corpo dos actores, explorando uma proposta que conduza os espectadores a uma situação de tensão, como num filme de suspense. Queremos que a dúvida se instale sobre os personagens, o que fazem ali e o que pretendem.

Rui Madeira

TRANSIT é um texto que começa a abrir caminho no aeroporto de Milão, numa daquelas situações de black-out informativo em que nem se parte nem se sabe quando se vai partir. Para resistir à fúria, praticam-se pacatos exercícios de observação: cartazes, painéis, sinais, montras, carrinhos, fardas, bichas. Repara-se então nos mínimos e nos máximos de sobrevivência que o aeroporto oferece, desde cigarros e pastilhas elásticas até casacos de arminho e massagens VIP. Repara-se nas pessoas: os que andam perdidos, os que avançam em piloto automático, os que parecem solitários, os que têm ar de pessoa colectiva. E surgem, antes de tudo, os nomes dos dois protagonistas, JET LAG e CHECK IN, como se os nomes fossem a caverna e os tesouros, os ladrões e o abre-te sésamo. De súbito, torna-se óbvio que os tijolos da construção que a cabeça se atreve a erguer, ainda sem alicerce, se inspiram na massa de semelhança entre a pequena cidade aeroporto e a cidade securitária formatada pelo neoliberalismo. Assalta-nos a recordação inolvidável das reuniões da Câmara Municipal do Porto em que o cidadão distraído pode descobrir o «projecto de cidade» que lá se trama – feita de falsos hotéis de charme, spas new age, mais parkings do que parques, restauração rápida disfarçada de gourmet, e bué da lojas de griffe... – é tão-só uma cópia a céu aberto (?) dos corredores de aeroporto. E são essas estudadas parecenças, a par dos terríficos sentidos de que são portadoras, que nos convencem a não deixar a «peça» nascente no lixo do devaneio.
De que maneira a luta de classes se manifestaria no espaço confinado e videovigiado de um talk show televisivo? É a esta pergunta que encarregamos JET LAG e CHECK IN de ir respondendo, dotando-os da possibilidade e da vontade de criar rompimentos, de furar o aquário onde asfixiam com a ponta acerada das suas pequenas e grandes raivas.
TRANSIT foi-se escrevendo, via correio electrónico, entre o Porto e Calcutá. É um objecto do qual gostaríamos que se conservasse a estranheza (também de o termos levado a bom termo) e o peso paradoxal do improviso (ping-pong entre autores e entre personagens, os primeiros distantes, mas próximos; os segundos próximos, porque reunidos pelo espaço improvável da representação, mas irremediavelmente distantes). Será possível um objecto em palco manter-se em trânsito?

Regina Guimarães e Saguenail, Março de 2011


Transit de Regina Guimarães e Saguenail
Encenação: Rui Madeira
Assistente de encenação: Solange Sá
Actores: Rogério Boane e Waldemar de Sousa
Espaço Cénico: Carlos Sampaio, Solange Sá e Rui Madeira
Figurinos: Sílvia Alves
Desenho de luz: Fred Rompante
Espaço sonoro: Luís Lopes
Criação vídeo: Frederico Bustorff Madeira
Criação gráfica: Carlos Sampaio
Fotografia: Paulo Nogueira
M/12




Mais informações:
http://www.ctb-transit.blogspot.com



ÚLTIMO ACTO
Um espectáculo de Rui Madeira, Anna Langhoff e Alexej Schipenko

Espectáculo de Rui Madeira, Anna Langhoff e Alexej Schipenko regressa ao Pequeno Auditório do Teatro Circo para mais uma série de espectáculos.
Denominado de não-teatro, Último Acto é um retrato cruel e cómico sobre as relações de poder no teatro, um olhar descarnado sobre as práticas e a cultura teatrais, onde o público é parte implicada e assume o papel de actor da história.
Composto pelo texto homónimo de Anna Langhoff e pelo texto Arte do Futuro de Alexej Schipenko, a peça conta com a interpretação de Solange Sá, Waldemar de Sousa, Rogério Boane, André Laires, Frederico Bustorff Madeira e Vicente Magalhães.

Sinopse:
Último Acto, de Anna Langhoff, foi representado pela primeira vez no Teatro Gorki, dirigido pela autora. Trata-se de uma peça que decorre durante um ensaio, próximo da estreia, a partir do momento em que o encenador é “visitado” pelo escritor/dramaturgo. Este deseja que aquele escolha dirigir um texto seu. Um retrato cruel e cómico sobre as relações de poder no teatro, um olhar descarnado sobre as práticas e a cultura teatrais e o entendimento ou desconhecimento que delas fazemos.
A Arte do Futuro, de Alexej Schipenko, é um texto onde também se fala de arte, de deus, da morte, do mundo, dos nossos desejos e medos.

Um espectáculo de Rui Madeira, Anna Langhoff e Alexej Schipenko | Assistentes Carlos Feio e André Laires | Com Solange Sá, Waldemar de Sousa, Rogério Boane, André Laires, Frederico Bustorff Madeira e Vicente Magalhães | Tradução Helena Guimarães e Regina Guimarães | Desenho de luz Fred Rompante | Ambiente sonoro Luís Lopes | Criação vídeo Frederico Bustorff Madeira | Criação gráfica Carlos Sampaio | Fotografia Paulo Nogueira | M/16




quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Cabeça do Baptista



A Cabeça do Baptista

Encenação: Manuel Guede Oliva

Escritor: Don Ramón María del Valle Inclán

“Melodrama para marionetas” - foi desta forma que o grande Don Ramón María del Valle Inclán definiu “A Cabeça do Baptista”, peça que configura o “Retábulo da avareza, da luxúria e da morte”. O seu argumento é conciso, categórico, como uma pancada imprevista que com o seu aperto quisesse paralisar as personagens de um rito que vinham entretendo as horas entre sombras de nada.
Alberto Saco, conhecido por “El Jándalo”, chega a uma aldeia indeterminada, num lugar inefável, com o propósito explícito de vingar-se de Don Igi, um indiano que fora em tempos amante, ladrão e assassino da Baldomerita, a mãe do recém-chegado.
Don Igi vive agora, à falta de melhor companhia, amancebado com Pepona, uma espécie de prostituta irreverente e vulgar. Diante da aparição de Alberto Saco, a ela irá confiar os seus medos e nela encontrará o seu maior aliado. Os dois planeiam a vingança, mas é Pepona quem lhe dá o alento moral que tem de resultar numa execução fria e exacta. Uma crueldade premeditada, pérfida e nocturna envolve a peça.
A tragédia para estas personagens do melodrama começa precisamente onde o melodrama e a marioneta concluem. “A Cabeça do Baptista” é uma obra num acto que tem uma óbvia afinidade simbólica com a história grotesca de São João Baptista, Salomé e Herodes.
(Manuel Guede Oliva)

Autor: Ramón del Valle Inclan | encenação: Manuel Guede Oliva | assistente de encenação: Thamara Thais | tradução: António Pescada | cenografia: escultor Rui Anahory | figurinos: Silvia Alves | desenho de luz: Fred Rompante | criação de som: Nuno Mendonça | imagem: Frederico Bustorff Madeira | criação gráfica: Carlos Sampaio | Actores: Solange Sá, Waldemar Sousa, Rui Madeira, Carlos Feio, Jaime Soares, André Laires, Rogério Boane

http://www.theatrocirco.com/agenda/evento.php?id=573


No início do século passado perguntaram a Valle-Inclán como imaginava que seria o teatro no séc. XXI. Ele, que na altura andava a fugir de uma cena provinciana, burguesa e que, portanto, já era um autor problemático para o seu tempo e de difícil materialização cénica, respondeu rotundo ao jornalista que se o soubesse já o estaria escrevendo.
Estamos agora a um século daquela pergunta e o teatro de Valle-Inclán aparece diante de nós coarctado de uma arquitectura actualíssima, como recém-imaginado para se afundar nas tensões do homem de hoje, luxúria, avareza e morte, e agarrar-nos nas correntes de uma contemporaneidade perplexa, submetendo a nossa acção ao seu ditado radicalmente moderno, como se, verdadeiramente, o seu real compromisso consistisse em escrever para cem anos depois de seu tempo.
Eu, em qualquer caso, como encenador deste aqui e deste agora concreto, não sinto que nada do teatro de Valle-Inclán me resulte anacrónico, velhas heranças de sobrado, mas, pelo contrário, a sua proposta teatral obriga-me a imaginar soluções de arriscada exigência cénica.
Bem sei que Valle-Inclán não é um autor frequente nos palcos portugueses embora os mais sábios da tribo conheçam as estreitas relações que o nosso autor manteve com os intelectuais lusos mais comprometidos do momento e a sua vocação republicana. O seu intenso envolvimento com a língua tem-no, paradoxalmente, afastado de muitas literaturas europeias, dada a dificuldade de adaptar os seus textos sem que se veja alarmantemente perdida a sua genialidade.
Por isso, é para mim uma enorme satisfação contribuir para que a sua palavra seja incorporada no reportório de uma das companhias históricas do teatro português, com tudo quanto significa de aprofundamento do diálogo empreendido há muito tempo entre a Galiza e o Norte de Portugal.
Obrigado, claro, a Rui Madeira por tê-lo proporcionado.
Manuel Guede Oliva






Mais informações sobre o espectáculo:

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Trilogia "José Rubem Fonseca"
Uma co-produção da CTB com A Escola da Noite, encenada por António Augusto Barros


Escritor - José Rubem Fonseca
TRILOGIA 1 José 2 Rubem 3 Fonseca.
Uma trilogia Rubem Fonseca, com dramaturgia e encenação de António Augusto Barros, numa co-produção d’A Escola da Noite com a Companhia de Teatro de Braga.
Rubem Fonseca nasceu em Minas Gerais em 1925, mas vive no Rio de Janeiro desde os oitos anos. O seu universo literário é fortemente marcado pelo quotidiano e pela violência latente das grandes cidades, num registo em que o humor, o humor negro, a trama de policial (e, a espaços, a escatologia) servem, afinal, a profunda humanidade das personagens que o habitam.
Formado em direito e com uma (curta) carreira de investigador policial, Rubem conviveu muito de perto com as tragédias humanas que povoam os seus textos. Vem talvez daí a sua recusa tanto em justificar ou relativizar as diferentes formas de violência entre os homens, quanto em produzir discursos universais e moralistas. A complexidade dos homens – dos seus comportamentos, dos seus afectos, dos seus instintos – dá-se mal com as fórmulas simples em que tantas vezes a queremos resumir.
Também por isso, a obra de Rubem Fonseca merece uma leitura abrangente, capaz de descobrir e dar a conhecer as continuidades, as complementaridades, os cruzamentos, os pontos de contacto entre os seus oito romances e as várias dezenas de contos que publicou.
É essa leitura que nos propomos fazer, através do teatro, ao transpor para o palco (pela primeira vez em Portugal) cerca de 20 dos seus contos em três espectáculos diferentes que podem ser vistos autonomamente (um por dia) mas onde os espectadores que virem os três poderão perceber soluções de continuidade que os ligam e ficar com uma imagem mais abrangente da produção literária do escritor brasileiro.
Este espectáculo é a segunda co-produção entre A Escola da Noite e a Companhia de Teatro de Braga, a primeira foi “Sabina Freire” de Manuel Teixeira Gomes, com encenação de Rui Madeira.
Estão definidas condições de acesso especiais para quem queira assistir aos três espectáculos.
Artigo de Quinta-feira, 8 de Abril, 2010 às 10:15, arquivado em Criação, Espectáculos, TCSB, estreias.
Este texto está publicado no site: http://weblog.aescoladanoite.pt/?p=2774










quinta-feira, 21 de maio de 2009

As Bacantes

As Bacantes
De Eurípides, encenação de Rui Madeira
"«Uma obra-prima tem sempre, como é sabido, diversas leituras possíveis, que variam, não só no contexto histórico em que foi produzida, como também em função da época em que é reapreciada». 'As Bacantes' são um exemplo perfeito dessa característica e um desafio que queremos abrir. Se a moral de 'As Bacantes' é que ignoramos à nossa custa a exigência (por parte do espírito humano), a experiência dionisíaca, aqui explorada para produzir uma acção dramática que ajuda os espectadores a considerar o Mistério e a precariedade da sua própria existência. Assim, o tema do desejo, da felicidade e da paz (ainda que obtidas pela evasão) vão associar-se ao da sabedoria, à afirmação do prazer da vingança. Uma obra soberba, matricial, sobre a qual pretendemos trabalhar, na busca da simplicidade e do belo; a partir da PALAVRA, ferramenta primeira para a artesania do palco e da força das imagens."
Rui Madeira
Durante o ensaio das Bacantes


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